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Prova de Língua Portuguesa de 2008 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

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A prova de Língua Portuguesa tem peso máximo em um bom número de Universidades país a fora. Então não esqueça de manter seus conhecimentos nessa área sempre em alta. Aproveite e teste o seu conhecimento com a prova de Língua Portuguesa de 2008 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Instrução: As questões 01 a 05 referem-se ao texto abaixo.
01.     A crítica religiosa de Erasmo tinha grandes
02.     afinidades com a que Lutero começou a dirigir
03.     contra Roma, a partir de 1517: denúncia das
04.     indulgências, defesa de um Cristianismo depurado
05.     de idolatrias e superstições, volta …….. Bíblia, etc.
06.     Por isso, Lutero tentou incansavelmente obter
07.     a adesão de Erasmo, mas este respondia com
08.     evasões, até que, pressionado pelos católicos para
09.     que definisse sua posição, escreveu contra Lutero,
10.     em 1524, um texto em que se colocava
11.     frontalmente contra um dos pontos centrais da
12.     Reforma: De Libero Arbitrio.Nesse texto, Erasmo
13.     defendia a tese da vontade livre, consumando,
14.     assim, sua ruptura pública com o protestantismo,
15.     que, pelo menos em sua versão luterana, era
16.      radicalmente determinista.   
17.     Lutero respondeu …….. um texto intitulado De
18.     Servo Arbitrio,em que defendia a tese de que a
19.     mera hipótese de uma ação livre do homem,
20.     independente de Deus ou em cooperação com Ele,
21.     já constituía uma limitação da liberdade de Deus e
22.     uma afronta às Escrituras, que mostravam que a
23.    queda condenava o homem a um saber
24.     necessariamente imperfeito e a uma razão
25.     necessariamente heterônoma. Para Erasmo, como
26.     para os humanistas em geral, essa doutrina era
27.     inaceitável tanto por razões puramente religiosas –
28.     pois, sem o pressuposto da liberdade, caem por
29.     terra todos os preceitos morais, dirigidos a uma
30.     vontade que pode ou não aceitá-los – quanto por
31.     razões humanas. A Renascença havia instalado o
32.     homem no centro da história, e Erasmo não estava
33.     disposto a abrir mão dessa conquista, a mais
34.     valiosa dos novos tempos. Ele não aceitava a idéia
35.     agostiniana de natura deleta,da depravação
36.     congênita do homem, em conseqüência do pecado
37.     original. Para Erasmo, o homem é por natureza
38.     dotado de razão, e ela o impele à concórdia e à
39.     solidariedade. A violência, a guerra, a brutalidade
40.     são contrárias …….. natureza razoável do homem.
Adaptado de: ROUANET, Sérgio Paulo. Erasmo, pensador iluminista. In: _____. As razões do Iluminismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 284-285.
1) Assinale a alternativa que preenche, corretamente e de acordo com o sentido do texto, as lacunas das linhas 05, 17 e 40, respectivamente.
(A)     a – com – à
(B)     a – à – à
(C)     à – a – a
(D)     à – com – a
(E)     à – com – à
2) De acordo com o texto, pode-se afirmar que Rouanet
(A)     conduz o leitor à certeza de que existem fatos históricos que devem ser repensados à luz de idéias iluministas.
(B)     argumenta a favor da idéia de que Erasmo e Lutero criticavam toda e qualquer religião, a despeito de suas próprias crenças religiosas.
(C)     apresenta as razões pelas quais Erasmo, na obra intitulada De Libero Arbitrio, criticou os pontos centrais da Reforma protestante.
(D)     contesta a idéia de que Lutero era contra a liberdade de pensamento do homem.
(E)     critica o ponto de vista de Erasmo sobre a Reforma protestante.
3) Assinale a alternativa que estabelece uma relação de referência correta entre o primeiro e o segundo segmentos extraídos do texto.
(A)     isso (l. 06) – a [crítica] que Lutero começou a dirigir contra Roma (l. 02-03)
(B)     sua (l. 14) – a tese da vontade livre (l. 13)
(C)     essa doutrina (l. 26) – a queda condenava o homem a um saber necessariamente imperfeito (l. 22-24)
(D)     dessa conquista (l. 33) – A Renas­cença havia instalado o homem no centro da história (l. 31-32)
(E)     o (l. 38) – Erasmo (l. 37)
4) No contexto em que se encontra, o nexo pelo menos (l. 15) poderia ser corretamente substituído por
(A)     até mesmo.
(B)     somente.
(C)     exceto.
(D)     não apenas.
(E)     ao menos.
5) Considere as propostas de reescrita do seguinte período do texto.
Para Erasmo, o homem é por natureza dotado de razão, e ela o impele à concórdia e à solidariedade (l. 37-39).
I  – De acordo com Erasmo, o homem é racional por natureza, e ela o leva à busca da concórdia e da solidariedade.
II – Segundo Erasmo, por natureza, o homem é racional, e isso o leva à busca da concórdia e da solidariedade.
III – O homem, segundo Erasmo, tem natureza racional, o que o leva a buscar a concórdia e a solidariedade.
Quais propostas de reescrita mantêm a correção e o sentido do texto original?
(A)     Apenas I.
(B)     Apenas II.
(C)     Apenas III.
(D)     Apenas I e II.
(E)     Apenas II e III.
Instrução: As questões 6 e 7 referem-se ao texto abaixo.
01.      Marina me explicou muito direitinho que eu não
02.     tinha razão. O que tinha era falta de confiança
03.     nela. Chorou, e fiquei meio lá, meio cá, propenso a
04.     acreditar que me havia enganado.
05.      – Posso obrigar uma pessoa a não olhar para
06.     mim? Posso furar os olhos do povo?
07.     Não senhora. A coisa era diferente: Eles tinham
08.     sido pegados com a boca na botija, grelando,
09.     esquecidos do mundo. Tinham ou não tinham? Sim
10.     senhor, mas sem malícia.
11.     – Posso furar os olhos do povo?
12.     Esta frase besta foi repetida muitas vezes, e,
13.     em falta de coisa melhor, aceitei-a. De fato, eu
14.     não tinha visto nada. As aparências mentem. A
15.     Terra não é redonda? Esta prova da inocência de
16.     Marina me pareceu considerável. Tantos indivíduos
17.     condenados injustamente neste mundo ruim!
18.     Quem pode lá jurar que isto é assim ou assado?
19.     Procurei mesmo capacitar-me de que Julião
20.    Tavares não existia. Julião Tavares era uma
21.     sensação. Uma sensação desagradável, que eu
22.    pretendia afastar de minha casa quando me
23.    juntasse àquela sensação agradável que ali estava
24.    a choramingar.
25.    – Pois bem, minha filha, não vale a pena falar
26.    mais nisso. Enxugue os olhos. Se você diz que não
27.    foi, não foi. Acabou-se, não se discute. Está aqui
28.    uma lembrancinha que eu lhe trouxe. Vamos ver
29.    se fica bonito.
Adaptado de: RAMOS, Graciliano. Angústia. 30. ed. São Paulo: Record, 1985. p. 86.
6) Assinale a alternativa que apresenta uma transposição gramaticalmente correta da voz passiva para a voz ativa da frase Eles tinham sido pegados com a boca na botija (l. 07-08).

(A)     Uma pessoa os teria pegado com a boca na botija.
(B)     Pessoas lhes tinham pegado com a boca na botija.
(C)     Alguém os tinha pegado com a boca na botija.
(D)     O povo pegou-os com a boca na botija.
(E)     Tinham pegado eles com a boca na botija.
7) O bloco superior, abaixo, apresenta três trechos do texto; o bloco inferior, interpretações desses trechos. Associe adequadamente cada um dos três trechos à sua correta interpretação.
De fato, eu não tinha visto nada. As aparências mentem. (l. 13-14)
Tantos indivíduos condenados injustamente neste mundo ruim! (l. 16-17)
Procurei mesmo capacitar-me de que Julião Tavares não existia. (l. 19-20)
1 – O narrador considera a possibilidade de que Marina não esteja mentindo.
2 – O narrador procura persuadir-se de que há razão para não julgar sumariamente Marina.
3 – O narrador apela para fatos que justifiquem sua desconfiança acerca da fidelidade de Marina.
4 – O narrador dispõe-se a recorrer ao que não é racional para acreditar em Marina.
A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
(A)     1 – 2 – 4.
(B)     1 – 3 – 2.
(C)     3 – 4 – 1.
(D)     3 – 2 – 4.
(E)     4 – 3 – 2.
Instrução: As questões 8 a 10 referem-se ao texto abaixo.
01.      Sendo a palavra escrita um produto da cultura,
02.     nisto, como em tudo mais, o indivíduo tem o
03.     direito de adoptar a que quiser – a que lhe parecer
04.     melhor ou mais conveniente. Isso quer dizer que,
05.     tecnicamente, …….. haver tantas ortografias quantos
06.     há escritores. Terá isso o inconveniente de, se um
07.     escritor optar por uma ortografia antipática ao
08.     público, o público o não ler? Seja: o inconveniente
09.     é para ele, não para o público. Praticou um acto:
10.     sofreu-lhe ele mesmo, só ele, as conseqüências
11.     intelectuais e morais.
12.     …….. cuidadosamente entre o dever cultural e
13.     o dever social. O meu dever cultural é pensar por
14.     mim, sem obediência a outrem; o meu dever
15.     cultural é registrar pela palavra escrita, grafando
16.     como entendo que devo, o que pensei. Assim se
17.     cria a cultura e portanto a civilização. Cessa aqui,
18.     porém, o que é puramente o meu dever cultural.
19.     Com a publicação do meu escrito, estou já,
20.     simultaneamente, em duas esferas – a cultural e a
21.     social: na cultural, pelo conteúdo do meu escrito;
22.     na social, pela acção, actual ou possível, sobre o
23.     ambiente. O meu escrito contém elementos
24.     prejudiciais à sociedade? Se legitimamente e por
25.     mim o pensei, continuo cumprindo meu dever
26.     cultural; meu dever social é que, consciente ou
27.     inconscientemente, não cumpri. São fenómenos
28.     distintos, dependentes, um, da minha
29.     contingência; outro, da minha consciência moral,
30.     se a tiver.
31.     Ora, a ortografia é um fenómeno puramente
32.     cultural: não tem aspecto social algum, porque não
33.     tem aspecto social o que não contém um elemento
34.     moral (ou imoral). O único efeito presumidamente
35.     prejudicial que estas divergências ortográficas
36.     podem ter é o de estabelecer confusão no público.
37.     Isso, porém, é da essência da cultura, que consiste
38.     precisamente em “estabelecer confusão”
39.     intelectual – em obrigar a pensar por meio do
40.     conflito de doutrinas religiosas, filosóficas,
41.     políticas, literárias e outras. Onde essas
42.     divergências ortográficas produziriam já um efeito
43.     prejudicial, e portanto imoral, é se o Estado
44.     admitisse essa divergência em seus documentos e
45.     publicações, e, derivadamente, a consentisse nas
46.     escolas.
Adaptado de: PESSOA, Fernando. O problema ortográfico. In: _____. A língua portuguesa. São Paulo: Cia. das Letras, 1999. p. 23-25.
8) Considerando que na edição brasileira do texto de Fernando Pessoa foi mantida a ortografia vigente em Portugal, assinale a alternativa em que as três palavras apresentadas evidenciam diferenças entre a ortografia portuguesa e a brasileira.
(A)     adoptar (l. 03) – optar (l. 07) – acto (l. 09)
(B)     adoptar (l. 03) – acção (l. 22) – fenómenos (l. 27)
(C)     intelectuais (l. 11) – outrem (l. 14)–actual (l. 22)
(D)     Cessa (l. 17) – fenómeno (l. 31) – aspecto (l. 32)
(E)     aspecto (l. 32) – divergências (l. 35) – admitisse (l. 44)
9) Considere as seguintes afirmações sobre o uso da forma pronominal lhe no texto.
I – O pronome lhe(l. 03) poderia ser substituído pelo segmento a ele, sem prejuízo da correção da frase.
II  – O pronome lhe (l. 10) poderia ser substituído pelo possessivo suas, a ser inserido antes da palavra conseqüências (l. 10), sem prejuízo do sentido e da correção da frase.
III – A forma pronominal lhe (l. 10) seria substituída pela forma direta o, se a forma verbal sofreu (l. 10) fosse substituída por suportou.
Quais estão corretas?
(A)     Apenas I.
(B)     Apenas II.
(C)     Apenas III.
(D)     Apenas I e II.
(E)     I, II e III.
10) Assinale a alternativa que apresenta os sinônimos mais adequados para as palavras conveniente(l. 04), distintos(l. 28) e consiste (l. 37), respectivamente.
(A)     favorável – evidentes – resulta
(B)     apropriada – diferentes – reside
(C)     convencional – diferentes – reside
(D)     favorável – diferentes – resulta
(E)     apropriada – evidentes – reside
Respostas: 1E, 2C, 3D, 4E, 5E, 6C, 7A, 8B, 9D e 10B.

Prova Pasusp (25/10/2009) Resolvida - Nº 1 ao 9

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A Fuvest realizou neste domingo (25) a prova do Pasusp (Programa de Avaliação Seriada da Universidade de São Paulo). O exame concede bônus para candidatos da rede pública no vestibular da USP.
Neste post estamos trazendo as questões do número 1 até o 9.
Textos para as questões 1 e 2
I. O Romantismo, movimento literário do século XIX, apresenta, entre outras características, uma visão de mundo centrada no indivíduo. Seus heróis são personagens portadoras de verdades, destemidas, de caráter exemplar e que realizam grandes missões.
II.


Fonte: http://www2.uol.com.br/adaoonline/v2/tiras/lavie/tiras/caminho5.gif .Acessado em agosto de 2009.
 

1 A
Em relação aos heróis literários, a personagem da tira
a) manifesta uma atitude oposta ao ideal do herói romântico.
b) representa um herói literário, disposto a enfrentar qualquer perigo.
c) admira a paisagem natural, exaltando a natureza bucólica.
d) demonstra sua decepção com a sociedade e busca refúgio na imaginação.
e) apresenta uma atitude angustiada e pessimista diante dos perigos.
Resolução
A atitude pragmática e consumista da personagem dos quadrinhos é o oposto do idealismo grandioso ca -
racterístico do herói romântico, tal como definido no texto I.
 

2 A
Tendo por base somente o primeiro quadrinho da tira, assinale qual das afirmações a seguir expressa corretamente um princípio geral correspondente a seu conteúdo:
a) Fazer o que não dá prazer pode ser útil.
b) Só se deve fazer o que dá prazer.
c) Deve-se fazer sempre o que se quiser.
d) É melhor não fazer nada, para não sofrer.
e) Não se deve fazer o que causa sofrimento.
Resolução
No primeiro quadrinho se exprime, precisamente, o princípio de que “fazer o que não dá prazer” (“seguir por uma estrada tortuosa...”) “pode ser útil” (“às vezes é preferível”).

Texto para as questões de 3 a 6
Na literatura, como na natureza, nada se ganha e nada se perde, tudo se transforma. Em Shakespeare está tudo o que nós, escritores, continuamos a utilizar nos dias de hoje, apenas embaralhamos as cartas e voltamos a dar.
Os sentimentos profundos que movem a humanidade – o amor, o ciúme, a paixão pelo poder, as intrigas da corte –, a certeza de que as grandes histórias de amor continuam a ser as impossíveis, etc. Ainda que depois de Shakespeare não tivesse surgido mais nada, o essencial sobre a natureza humana já teria sido dito.
José Eduardo Agualusa. O Estado de S. Paulo, 23/04/2009. Adaptado.
 

3 B
Assinale a alternativa que apresenta a ideia central do texto.
a) A obra de Shakespeare não apresenta valores humanos atuais.
b) O essencial da natureza humana está representado em Shakespeare.
c) As grandes paixões continuam sendo impossíveis.
d) A natureza imita os temas presentes na literatura.
e) Os temas sobre a natureza humana ainda não foram escritos.
Resolução
A alternativa correta corresponde precisamente ao último período do texto, em que se resume a sua ideia principal.

4 C
Assinale a alternativa em que o termo ainda tem o mesmo sentido que em “Ainda que depois de Shakespeare não tivesse surgido mais nada”.
a) Resta-lhe, ainda, um argumento para a sua defesa.
b) Este micro comprado há 3 anos, ainda hoje funciona bem.
c) Ainda estudando como tem estudado, não conseguirá passar de ano.
d) Tem dois filhos e, ainda, duas belas filhas.
e) De madrugada, a Lua ainda aparecia em toda a sua plenitude.
Resolução
Ainda que, no texto – assim como ainda seguido de particípio, na frase da alternativa c – significa “mesmo que, mesmo na eventualidade de que” (Houaiss).




5 D
Na frase “Na literatura, como na natureza, nada se ganha e nada se perde, tudo se transforma”, o termo como expressa a ideia de
a) causa.
b) finalidade.
c) tempo.
d) comparação.
e) condição.
Resolução
Os termos comparados pelo como são literatura e natureza.

6 E
Assinale a alternativa que contém a palavra que, no texto, é empregada pelo autor com dois significados diferentes.
a) Amor.
b) Ciúme.
c) Literatura.
d) Sentimento.
e) Natureza.
Resolução
Natureza significa, no início do texto, “o conjunto do mundo físico”; no final do texto, a expressão natureza humana significa “conjunto de traços psicológicos e espirituais que caracterizam o ser humano” (Houaiss).

Texto para as questões 7 e 8
— Fio, fais um zóio de boi lá fora pra nóis. O menino saiu do rancho com um baixeiro* na cabeça, e no terreiro, debaixo da chuva miúda e continuada, enfincou o calcanhar na lama, rodou sobre ele o pé, riscando com o dedão uma circunferência no chão mole
— outra e mais outra. Três círculos entrelaçados, cujos centros formavam um triângulo equilátero. Isto era simpatia para fazer estiar. E o menino voltou:
— Pronto, vó.
— O rio já encheu mais? — perguntou ela.
— Chi, tá um mar d’água! Qué vê, espia, — e apontou com o dedo para fora do rancho. A velha foi até a porta e lançou a vista. Para todo lado havia água. Somente para o sul, para a várzea, é que estava mais enxuto, pois o braço do rio aí era pequeno. A velha voltou para dentro, arrastando-se pelo chão, feito um cachorro, cadela, aliás: era entrevada. Havia vinte anos apanhara um “ar de estupor” e desde então nunca mais se valera das pernas, que murcharam e se estorceram.
Bernardo Elis. Nhola dos anjos e a cheia do Curumbá.
Os cem melhores contos brasileiros do século, 2000.
*Baixeiro. s.m. Manta que se coloca no lombo do cavalo, por baixo da sela.

7 E
No fragmento transcrito, há expressões regionais e coloquiais. Assinale a alternativa em que esse tipo de expressão não ocorre.
a) Fio, fais um zóio de boi lá fora pra nóis.
b) Enfincou o calcanhar na lama.
c) Chi, tá um mar d’água!
d) Qué vê, espia.
e) Isto era simpatia para fazer estiar.
Resolução
Todas as outras alternativas contêm coloquialismos e regionalismos (“fio”, “zóio”, “enfincou” etc.).

8 A
Assinale a alternativa em que a frase “Fio, fais um zóio de boi lá fora pra nóis” foi reescrita na variedade padrão da linguagem, mantendo a mesma pessoa gramatical do texto.
a) Filho, faça um olho de boi lá fora para nós.
b) Filho, façais um olho de boi lá fora para nós.
c) Filho, faze um olho de boi lá fora para nós.
d) Filho, fazeis um olho de boi lá fora para nós.
e) Filho, façamos um olho de boi lá fora para nós.
Resolução
“Fais”, pronúncia popular de faz, corresponde ao pronome você; da・a forma faça, do presente do subjuntivo, usada pelo imperativo da terceira pessoa.

9 B
“Quem não tem cão, caça com gato”. O sentido deste provérbio é:
a) Os cães são melhores do que os gatos, mas não temos cães.
b) Sem aquilo que queremos, procuramos algo semelhante.
c) Os animais são excelentes auxiliares na caça.
d) Algumas pessoas têm mais sorte do que outras.
e) Devemos sempre procurar melhorar na vida.
Resolução
O sentido do provérbio é que, na falta do ideal (“o que queremos”, nos termos da alternativa b), devemos recorrer ao possível (o “semelhante” ao ideal).

 

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